Conflitos entre gerações no trabalho: como lidar? | VitalSmarts Brasil
Press enter to begin your search

Conflitos entre gerações no trabalho: como lidar?

conflitogeracoes
Nunca tivemos tantas gerações num mesmo local de trabalho ao mesmo tempo. Também, nunca tivemos tantos conflitos entre gerações no trabalho. Afinal, é cada vez mais comum nos depararmos com colaboradores de até quatro gerações diferentes nas organizações:

Veteranos: 1925-1945

Baby Boomers: 1946-1964

Geração X: 1965-1979

Geração Y / Millennials: 1980-2000

Algumas pessoas dizem que temos um “problema entre gerações”. No início deste ano,  nossos autores Joseph Grenny e David Maxfield descobriram que mais de um terço da força de trabalho chega a perder mais de cinco horas por semana em sua produtividade por conta de conflitos mal resolvidos que acabam ocorrendo por conta dessa dificuldade de se comunicar entre pessoas de diferentes gerações. Segundo uma de nossas pesquisas que avaliou 1350 pessoas, 1 a cada 3 pessoas desperdiçam 12% do seu tempo de trabalho com esse tipo de conflito geracional, sendo que 1 a cada 4 admitem fugir desses conflitos. Este é um grande problema nas empresas que nós da VitalSmarts estamos tentando resolver.

Baixar pesquisa A grande barreira entre gerações

 

Por isso, fui atrás de saber o que os especialistas no assunto estavam dizendo para poder entender melhor esses conflitos entre gerações e então encontrar uma solução efetiva.
O mais engraçado de tudo foi que a maior parte do que li falava sobre os Millennials – exatamente a minha geração.
Como podemos gerencia-los? Como os entendemos? Como podemos tirá-los de seus celulares?

Aqui está um resumo rápido dos Millenials de acordo com a literatura que tive acesso.

1.Predestinados

Millenials se acham predestinados

Primeiro, nós agimos como se fossemos predestinados. Algumas pessoas até nos chamam de “a geração dos troféus”. Isso pode não parecer ruim a princípio, já que troféus geralmente são indicativos de sucesso e realização. Porém, nós éramos um pouco diferentes quanto a esse indicativo de sucesso.

Quando eu tinha nove anos de idade, joguei futebol em uma liga comunitária. No final da temporada, o treinador me deu um lindo troféu de ‘ouro’ que tinha um “MVP – Most Valuable Player” inscrito bem no fundo. Ah, eu estava tão orgulhoso…

Mas, ai olhei ao redor e vi todos os outros meninos na minha equipe sendo presenteados com troféus idênticos! Ou seja, na minha geração, os troféus acabam indicando muitas vezes mais uma aparência do que o mérito da excelência em si.

Mark Taylor, especialista em educação que estuda gerações no ambiente de aprendizagem, diz que Millennials “entram no ensino médio esperando altas notas com muito pouco esforço, apenas para aparecer”.

Agora que estão no local de trabalho, ele diz: “Millennials não perguntam o que eles podem fazer para suas organizações, mas o que suas organizações podem fazer por eles”.
O que acontece então é que 40% dos Millennials acabam pensando que deveriam ser promovidos pelo menos a cada dois anos, independentemente do seu desempenho.

2. Auto-afirmação 

Homem na frente do espelho com olhar de auto-afirmação

Em segundo lugar, Millenials são muito interessados ​​e têm necessidade de auto-afirmação.
Por isso, adoram tirar selfies pra publicar em suas redes sociais favoritas, esperando que as pessoas gostem ou comentem porque estão procurando afirmação ou um impulso de autoestima.
Em um artigo TIME Magazine, chamado “A Geração mimimi”, os autores discutem o transtorno de personalidade narcisista comum nos Millennials. No artigo é dito que esse tipo de transtorno é três vezes mais proeminente nessa geração do que em gerações anteriores.
Ou seja, Millenials pensam muito em si mesmos. Contudo, infelizmente, isso pode acabar não sendo muito preciso quanto a suas capacidades.

Outro pesquisa da The American Freshmen Survey pediu aos calouros Millenials para se avaliarem em comparação com seus pares nas organizações. Os pesquisadores mantiveram esse estudo todos os anos desde 1966, mas recentemente, encontraram um “nível de auto-afirmação sem precedentes”.
O estudo terminou dizendo: “Encontramos uma grande desconexão entre o que os Millennials pensam que podem fazer e o que eles realmente podem fazer”.
Então, aparentemente, eles pensam que são realmente ótimos, mas não necessariamente possuem habilidades para realizar grandes tarefas.

3. Preguiçosos

Somos preguiçosos.
Queremos entrar no mercado de trabalho e no primeiro dia perguntar: “Posso chegar um pouco atrasado? Posso fazer um intervalo de almoço mais longo? Posso sair no início do dia para sair com meus amigos?”
Eu pensei sobre isso na minha própria vida e comecei a me perguntar: “Eu sou preguiçoso?”
Talvez seja culpa da tecnologia. Talvez a tecnologia tenha feito os Millennials um pouco preguiçosos.

4. Dificuldade em sair para o mundo

Mais Millennials entre as idades de 18 e 29 vivem com os pais do que vivem com cônjuges. É uma geração que demora mais para se lançar para o mundo do que as outras.

 

Etiquetas e Comportamento

Você pode estar se perguntando por que estou falando mal da minha geração. Qual é o objetivo?

Na realidade, provavelmente também poderia fazer dois seminários inteiros sobre os estereótipos e generalizações das geração X e Baby Boomers. Há muitos exemplos disso, mas o que eu quero considerar um pouco é o seguinte: as categorizações e os estereótipos realmente são tão valiosos?
Em Conversas Cruciais e Compromissos Cruciais, falamos muito sobre rotulagem e as histórias que criam um vilão. Quando colocamos as pessoas nesses rótulos, isso desencadeia muitos comportamentos negativos para o nosso fim.
Não só algumas dessas categorizações são inúteis, mas às vezes são simplesmente erradas.

Nada de novo

Minha pesquisa também me levou ao artigo “The Generation Gap”, da LIFE Magazine… este artigo, sobre os Baby Boomers, foi escrito em 1966. Encontrei outro artigo, o “The Me Generation”, da New York Magazine … também escrito em 1976 e sobre Baby Boomers.
Depois, encontrei um artigo falando sobre a necessidade incessante da geração mais nova de se mostrar. Isso deveria ser sobre Millennials, certo? Não, foi escrito na revista Newsweek, em 1985, sobre a geração X.
O ponto é: grande parte dessas características são apenas o jeito de ser de uma pessoa mais nova. Nos últimos 75 anos, tem sido comum na sociedade pessoas mais velhas dizendo que as pessoas mais jovens são egoístas, carentes por autoafirmação, os “predestinados”.
Isso não é nada de novo, mas também não deixa de causar problemas.
Sempre haverá uma geração nova. Sempre haverá desafios associados à superação dos conflitos entre gerações. Mas, antes de rotular os outros por serem diferentes, vamos procurar compreendê-los. Afinal, alguém também pensou o mesmo sobre sua geração.

Geração nemnem Millenials

A maior geração de comunicadores

Quero desafiar um estereótipo específico – um que é muito comum, mas muito importante para o como avançamos na atual divisão entre gerações. Eu acredito honestamente que minha geração, os Millennials, pode ser a maior geração de comunicadores que já tivemos no mercado.

Comunicação entre jovens

Isso pode parecer absolutamente ridículo para você. Há uma boa chance de que quando você pensa em Millennials, as palavras “desconectados” e “distraídos” venham a mente. Mas, eu quero modificar isso um pouco. Aqui está a maior questão: a distração é um problema dos Millenials? Ou, é um problema humano?
Para ir um pouco mais fundo, a ideia de que estamos nos tornando cada vez mais distraídos é uma questão de diferentes gerações? Ou é uma questão de avanço da tecnologia?
Para ser perfeitamente claro: minha geração poderia estar menos distraída?
Com certeza! Mas, nós não podemos ser mais distraídos também?
Eu sei que isso é uma declaração ousada….
Eu poderia passar horas falando sobre por que penso que Millennials são comunicadores realmente eficazes. Eu poderia falar sobre o fato de que nos comunicamos mais rápido que outras gerações. Por exemplo, somos capazes de reunir informações on-line, chegar rapidamente a decisões e manda-las para os tomadores de decisão em nossas organizações.
Odiamos tanto as reuniões que até mesmo preferimos ter conversas rápidas com mensagens de texto para que possamos avançar logo com o trabalho.

Quem eles pensam que são?

Eu poderia falar muito mais sobre nossas características, mas há um ponto em que eu realmente quero me concentrar.
Ao continuar as pesquisas, uma das maiores queixas que vi dos Baby Boomers e da geração X ​​é a ideia de que muitos Millennials – quando entram pro mercado de trabalho – fazem pedidos relacionados às suas horas de trabalho ou benefícios. Perguntamos sobre oportunidades de promoção muito cedo. Nós até damos ideias para a estratégia da empresa antes mesmo de termos realizado um primeiro trabalho de sucesso.
E isso absolutamente não entra na cabeça dos Baby Boomers e da geração X. Por que?
Porque isso não é o normal de acordo com o que eles pensam. Para eles, a norma é que ninguém deve falar sobre esse tipo de coisa até ter um mínimo de poder em sua posição na organização.
O normal é você fazer seu trabalho o melhor que puder e, quando você atingir uma certa posição, isso é, tiver comprido bem seus afazeres, só então é que você poderá começar a pedir esse tipo de coisa. Só então que estará na posição de fazer pedidos e falar.
Essa é a norma para eles, mas minha geração está dizendo: “Não! Eu quero falar agora”, e isso faz parecer que as outras pessoas é que estão erradas.
Mark Taylor disse uma vez: “Os Millennials são informais e, muitas vezes, não são limitados pelas expectativas sociais antiquadas e tradicionais que podem limitar a sua franqueza na comunicação”.
Com isso em mente, você deve considerar que só porque estamos confiantes em falar não significa que somos realmente bons nisso.

Onde os especialistas em RH e treinadores entram?

Como formadores e especialistas em Recursos Humanos, nosso trabalho é fazer duas coisas: melhorar a competência das pessoas ensinando habilidades e estratégias para falar ou influenciar.
Aumentar a confiança dessas pessoas em sua capacidade de usar essas habilidades.
Geralmente, quando você ajuda a competência, a confiança também melhora… mas nem sempre.
Dois dias de treinamento é um tempo muito curto para mudar a crença de uma pessoa de que ela deveria abrir mais o jogo mais quando ela está numa posição formal de autoridade.
Na sala de aula, temos uma dicotomia estranha. Por um lado, estamos dizendo: “Você consegue! Você consegue abrir o jogo! Esteja confiante em falar. “Mas agora temos uma geração de alunos que entram na sala de aula dizendo:” Estou confiante para abrir o jogo agora “. O problema é que minha geração é muito ruim nisso. Precisamos de ajuda, e é aí que entra o profissional de RH.

Baixar pesquisa A grande barreira entre gerações

 

3 Dicas para superar os conflitos entre gerações

Aqui estão três dicas para melhor abordar esses problemas e ajudar os Millennials a se tornarem realmente capazes de:

1. Junte Confiança e Competência

Considere como você pode adicionar sua orientação para nos ajudar a aplicar essas habilidades.
O processo que normalmente pensamos geralmente só beneficia um lado. Uma pessoa sênior se junta com a pessoa júnior, ensina-lhe tudo o que sabe, e a pessoa júnior fica com todos os benefícios.
Mas há um movimento interessante ganhando popularidade chamado “orientação reversa”.

É essa a ideia de que você coloca uma pessoa sênior com uma pessoa júnior e o sênior ajuda o jovem a falar, quando falar e o que significa ser profissional (estar na hora, tomar iniciativa, etc.). Então, o júnior ajuda o sénior com coisas como tecnologia, novas inovações, relações públicas, mídia social e marketing digital.
Há uma ampla gama de habilidades que uma pessoa júnior tem que pode ser de grande benefício para a pessoa sênior, então considere como você pode combinar a confiança com a competência e usar as oportunidades de orientação reversa como forma de fazer isso.

2.Compreenda nossas motivações

Millenials precisam de confiança e autonomia

Uma das minhas habilidades favoritas ensinadas no treinamento Compromissos Cruciais é o Torne isso Motivante, onde a chave para a motivação é fazer uma conexão entre o comportamento que você quer de alguém e algo que eles já valorizam. Mas, isso faz a suposição que você já conhece o que eles valorizam. Uma das coisas que você precisa considerar é: você está cometendo o erro de achar que o que você valoriza não é o mesmo que eles valorizam?
Se você está se perguntando, “como eu sei o que eles valorizam?”

Eu tenho uma dica super secreta para você: PERGUNTE!
Eu tenho uma chefe que faz isso muito bem. Pelo menos duas vezes por ano, nos sentamos para o almoço e ela simplesmente me pergunta: “O que você está interessado? O que te anima? O que motiva você? O que você quer fazer?” Isso ajuda ela a me administrar de forma eficaz.
Eu faria qualquer coisa para ajudá-la a ser bem-sucedida porque eu sei que ela se preocupa comigo e com minhas motivações.
Quando você pergunta, você pode ficar realmente surpreso com o que você descobre.Uma coisa que você pode se surpreender ao saber é que existe uma conexão sem precedentes com a missão da organização. Dados mostram que 50% da nossa geração preferem ganhar menos para trabalhar em uma organização com valores mais próximos do que ganhar mais em uma outra empresa que não se identificam tanto.
Eles estão descobrindo que nossa geração se importa mais com a missão do que com as margens de lucro – mais do que qualquer outra geração que veio antes de nós.

3. Espere e Empodere

Daniel Pink tem um ótimo argumento sobre isso. Ele diz que a chave para o engajamento dos funcionários tem dois lados:

Altas expectativas  e  Autonomia

Millenialls vão mudar o mundo

Quando as outras gerações olham para a minha, elas se preocupam com o futuro. Eles reduzem suas expectativas porque não acreditam que nós possamos fazer muito…
Eu estava conversando recentemente com um bom amigo meu na Goodlife Fitness (rede de academias) no Canadá. Eles têm de 80% Millennials entre seus colaboradores. No entanto, a Goodlife Fitness, ano sim ano não, está entre as 10 culturas corporativas mais respeitadas em todo o Canadá.
Perguntei-lhe o que fizeram, que foi tão especial, e ela respondeu: “Quando contratamos alguém, deixamos muito muito claro o que esperamos deles – e nossas expectativas são realmente altas. Então, nós lhes damos autonomia. Trabalhamos arduamente e jogamos duro”.
Para meus amigos da geração X e Baby Boomers, eu pediria que não baixassem suas expectativas, mas que criassem mais. Esclareça-as, mas crie-as. Então, poderemos ter a chance de criar a maior geração de comunicadores que o mercado já viu.

Baixar pesquisa A grande barreira entre gerações

 

Texto original de Justin Hale,
com adaptação livre de Vinicius Costa.

Close