Como lidar com a dispensa de funcionário de forma correta? - VitalSmarts Brasil

Como lidar com a dispensa de funcionário de forma correta?

Uma empresa que pensa no seu colaborador promove capacitação profissional, treinamentos e um ambiente de trabalho que seja agradável e colabore com a produtividade. Isso faz com que a relação trabalhista seja respeitosa e duradoura.

Dispensa de funcionario

No entanto, apesar das tentativas, a relação entre as duas partes pode não funcionar como desejada. Portanto, a dispensa de funcionário é necessária e exige do gestor profissionalismo e respeito.

Quer saber como dispensar um funcionário de forma correta e quando a demissão é por justa causa? Confira tudo neste post!

Quando a dispensa de funcionário é considerada por justa causa?

Segundo o artigo 482 da CLT, a demissão por justa causa ocorre por um ato do empregado que corrompa a confiança da empresa. Veja os principais casos:

Improbidade

Ação ou omissão que demonstra desonestidade por parte do funcionário, como abuso de confiança, fraude ou má-fé. Como exemplos, adulteração de documentos pessoais ou trabalhistas, furto, roubo, extorsão e estelionato.

Se o ato desonesto for praticado fora da organização, a demissão também pode ser considerada justa causa, já que a relação trabalhista é baseada na confiança, portanto, motivos externos (como os citados acima) também podem ser considerados nesse momento.

Insubordinação e indisciplina

A insubordinação ocorre quando o funcionário não obedece a ordens diretas e pessoais do empregador, sejam elas verbais ou por escrito. Já a indisciplina acontece quando o empregado descumpre regras dadas a todos os funcionários, como não fumar em local de trabalho ou usar uniformes.

Condenação criminal

É considerada justa causa a dispensa do funcionário quando alguma condenação criminal é passada em julgado, ou seja, não tem mais como recorrer ou o prazo para recurso expirou.

Desídia

Quando o funcionário demonstra desinteresse e faz de tudo para desviar de suas funções (ócio) ou pratica atos que prejudicam a empresa (negligência ou desleixo).

A justa causa constitui-se, basicamente, de pequenos atos prejudiciais que vão se acumulando até erros maiores, causando a dispensa. Portanto, apenas uma falha não pode ser considerada desídia.

Faltas frequentes e injustificadas, improdutividade, descumprimento das obrigações e saída injustificada no horário de expediente são alguns exemplos.

Lesões à honra e agressões físicas

Lesões à honra e à boa fama são agressões verbais ou gestos que queiram ferir a dignidade de uma terceira pessoa. Para que determinadas expressões sejam consideradas justa causa, devem ser levado em conta elementos como a linguagem do ambiente de trabalho, o local de nascimento e vivência e o nível de instrução do empregado e a contextualização das palavras.

Já ofensas físicas são agressões contra funcionários e superiores dentro ou fora do ambiente de trabalho e que não tenham ocorrido em legítima defesa. Se o ato for contra um terceiro, a justa causa ocorrerá apenas se dentro das propriedades da organização.

Quando não é considerada justa causa?

Além da justa causa, existem motivos mais leves que também levam à dispensa de um funcionário. Confira:

Desempenho abaixo do esperado

Ocorre quando o funcionário não rende conforme desejado. Os prazos não são cumpridos, as tarefas não são terminadas e a produtividade é muito menor em comparação a outros colaboradores. Resumindo, o colaborador mantém hábitos que não permitem seu desenvolvimento profissional na empresa.

É válido observar se o empregado em questão não está sobrecarregado, o que pode comprometer seu rendimento sem que a culpa seja dele. Lembre-se de que baixo desempenho é diferente de desídia (quando o funcionário desvia-se de suas funções para não produzir).

Corte de despesas

Crise, diminuição do poder de consumo e diversos outros fatores podem acarretar a queda de lucro da empresa. Com isso, o corte de despesas pode afetar desde materiais usados no dia a dia até mesmo funções que não sejam tão necessárias no momento.

Não deixe de conversar com o funcionário e deixar bem claro o motivo, mesmo que outros empregados com a mesma função continuem. Esse retorno é essencial.

Incompatibilidade com a cultura organizacional

A cultura organizacional abrange desde o comportamento até os valores do funcionário. Portanto, quando estão desalinhados, o trabalho não anda e a convivência torna-se um suplício. Se o colaborador estiver frustrado, insatisfeito ou decepcionado mesmo com mudanças que visem beneficiar a todos, chame-o para o diálogo. Caso não dê resultados, a demissão pode ser a melhor via.

Pesquisas VitalSmarts

Como lidar com a dispensa de funcionário?

A demissão de um colaborador nunca é uma tarefa fácil, por isso, você precisa se preparar para fazê-la da maneira mais respeitosa possível. Veja nossas sugestões:

Tenha certeza da decisão

É importante que você tenha motivos claros para demitir o funcionário. Ele tem todo o direito de questionar a dispensa, portanto, tenha argumentos consistentes ― sejam eles corte de verba, incompatibilidade, baixo desempenho ou justa causa. Um leve aborrecimento ou boatos do corredor da empresa não são razões para uma demissão.

A argumentação serve também para que o gestor seja firme em sua decisão e não deixe o lado emocional falar mais alto. Além disso, serve como um feedback para que o colaborador saiba em que deve melhorar e consiga se manter numa nova oportunidade.

Junte provas para embasar a dispensa por justa causa

A demissão por justa causa costuma ser mais complicada, pois exige provas. No caso de improbidade, a mais grave das justas causas, o empregador deve ter provas consistentes do ato e fazer a dispensa sem alardes. Caso o juiz a negue, o empregado pode acusá-lo de dano moral. Além disso, é preciso deixar claro o nexo causal, ou seja, a relação direta entre o ato do colaborador e o prejuízo da empresa.

Por fim, não demore: a aplicação da penalidade precisa acontecer assim que o gestor souber do ato grave, senão é considerado perdão tácito.

Prepare-se para a hora da comunicação

O momento de comunicar a dispensa é difícil, portanto, o gestor precisa manter a calma. O ideal é que o funcionário não seja pego de surpresa, ou seja, que já tenha havido um diálogo em particular sobre determinados comportamentos que não estejam de acordo com a filosofia da empresa.

Chame-o para falar em uma sala a sós e peça que não haja interrupções. Seja sucinto (é um aviso, não uma conversa), mantenha uma voz tranquila e use palavras que não ofendam a dignidade do profissional. O comunicado precisa ser curto, direto e, ao mesmo tempo, educado. No entanto, deixe que o funcionário também fale.

Não há um consenso sobre o melhor dia ou horário para a dispensa. Portanto, assim que tomar a decisão, comunique-o.

Certifique-se de cumprir com todos os direitos do funcionário

Como a dispensa costuma ser um momento difícil, o funcionário pode não se recordar de muito do que foi falado no momento do comunicado. Tenha um papel com informações por escrito sobre o último pagamento e direitos trabalhistas.

Essas informações vão deixá-lo mais seguro, pois ele vai se lembrar de valores que não vão desampará-lo por determinado período de tempo. Se a demissão foi sem justa causa, cite FGTS, aviso prévio proporcional e seguro-desemprego. Mas, se o desligamento ocorrer por falta grave, cite o saldo de salários não pagos.

A dispensa de funcionário é sempre um momento desconfortável, por isso, fazê-la corretamente deixa o momento menos pesado para ambas as partes. O gestor deve entender que, se há motivação clara e irremediável, o emocional não pode interferir no processo. Ao mesmo tempo, a dignidade do trabalhador deve ser priorizada.

Em uma de nossas recentes pesquisas, 70% dos gestores participantes afirmam ter um ou mais colaboradores que classificam como de alto potencial mas que estão considerando demiti-lo(s) devido a baixa performance. Isso pode significar que sim, demissões são e sempre serão necessárias para corrigir alguns rumos na trajetória de uma organização, mas, antes de considerar todas as formas e um procedimento correto, analise também se a organização que você trabalha e você como gestor estão oferecendo todas as condições para que a performance seja visível, eficaz e presente.
Ficou curioso, inscreva-se em nossa newsletter que compartilhamos nossas pesquisas, dicas e outros conteúdos frequentemente.

Confira agora 4 dicas para controlar as emoções em momentos difíceis.

Close