Assédio no ambiente de trabalho: como identificar, agir e evitá-lo

Uma boa empresa sabe que a saúde mental do empregado é uma prioridade, além de o assédio no ambiente de trabalho ser um problema a ser enfrentado e evitado. Com uma cultura organizacional forte, ela cria um ambiente no qual funcionários e gestores mantêm uma rotina de trabalho de qualidade.

assedio no trabalho

No entanto, mesmo em grandes estruturas organizacionais, é comum colaboradores acabarem cometendo assédios. Isso ocorre, principalmente, contra subordinados em situação de vulnerabilidade (inseguros, idosos, jovens que estejam na primeira experiência de trabalho, minorias).

É importante estar atento para saber como se portar quando houver alguma situação do gênero. Para saber quando ocorre e como evitar assédios, continue a leitura!

Como se caracteriza o assédio no ambiente de trabalho?

Existem dois tipos de assédio pelos quais o trabalhador pode passar:

Moral

O assédio moral acontece quando, de forma repetitiva e prolongada, o agressor expõe o empregado a situações humilhantes, ofensas e ameaças.

Veja como isso ocorre:

  • situações vexatórias: o empregado recebe broncas, gritos e ofensas diante de alguns colegas ou de todo o setor. Seu trabalho também é criticado de forma exagerada ou sem motivo;
  • ameaças: o agressor deixa claro o tempo todo que poderá demitir a vítima caso ela faça ou deixe de fazer algo;
  • sobrecarga: além de um volume de trabalho muito maior do que o normal, o superior exige metas inatingíveis;
  • atividades incompatíveis: a atribuição de tarefas que nada tenham a ver com o cargo, normalmente em prazos impossíveis de cumprir;
  • agressões: além das verbais, o superior também dá empurrões;
  • discriminação: o agressor humilha a vítima por sua etnia, gênero, cor, religião, orientação sexual ou características físicas;
  • zombarias e críticas sobre sua vida pessoal;
  • omissão de informações que possam ajudar nas tarefas da vítima, induzindo-a ao erro;
  • negação de folgas que sejam de direito do trabalhador;
  • isolamento: o funcionário não consegue se comunicar com outros colegas de trabalho ou é interrompido constantemente em reuniões;
  • boatos: o agressor espalha rumores para ferir a dignidade;
  • apropriação de ideias: o assediador diz ser o autor de ideias, projetos e propostas da vítima.

Embora, na expressiva maioria das vezes, o assédio aconteça hierarquicamente (quando um superior assedia seu subordinado, e este, por consequência, agride outro de cargo inferior, formando uma escada) ele também pode ocorrer de outras formas.

O assédio entre pares ou horizontal acontece quando um colega de trabalho diminui, humilha e inventa boatos para que outro não cresça na empresa. Já o organizacional aparece quando o assédio faz parte da cultura da empresa (como em estabelecimentos extremamente competitivos, em que empregados são estimulados a competir entre si). Por fim e menos comum, há o ascendente, quando um empregado ou grupo humilha e zomba de um superior.

O agressor, na maioria das vezes inseguro e egocêntrico, encontra como vítima uma pessoa também insegura e em situação de vulnerabilidade. A Lei 12250/06, conhecida como Lei contra o Assédio Moral, especifica que as penalidades para o assediador podem variar entre advertência, suspensão e demissão. Ele também pode ser julgado com base no artigo 483 da CLT.

Sexual

Segundo o art. 216 do Código Penal, esse tipo de assédio baseia-se na chantagem ou constrangimento para obter favores sexuais. O superior utiliza-se dessa arma para ameaçar de demissão ou fazer com que a vítima suba de cargo na empresa.

Caracterizam-se como assédio contatos físicos forçados, palavras, convites, humilhações e intimidação com fundo sexual.

A pena para esse agressor varia entre um e dois anos, podendo aumentar até um terço se a vítima for menor de 18 anos. Uma pesquisa do site Vagas.com mostrou que, enquanto o assédio moral é equilibrado entre homens e mulheres, no sexual, elas formam 80% das vítimas.

Quais as consequências do assédio para o trabalhador?

O assédio pode acarretar prejuízos psicológicos para a vítima. Veja:

  • baixa autoestima: como é constantemente assediado, o trabalhador começa a duvidar de sua capacidade ou a pensar que só conseguirá algum avanço se ceder a favores sexuais;
  • desinteresse: o empregado perde o interesse no trabalho, lazer, família e amigos;
  • depressão: o desinteresse evolui para desânimo, acarretando depressão;
  • pânico: a vítima fica apavorada só em pensar no trabalho, chegando a sentir dores físicas e enjoos. Isso pode continuar caso saia da empresa, a ponto de não conseguir voltar ao mercado;
  • transtorno obsessivo compulsivo: a vítima está sempre em estado de alerta, sofre de insônia e começa a desenvolver tiques nervosos.

Como o trabalhador deve agir?

Veja o que o funcionário pode fazer para reagir ao assédio:

Mantenha a calma

Apesar de estar numa situação de violência psicológica, o funcionário não pode entrar em desespero. Ele deve ter a ciência de que é a vítima e, portanto, correr atrás de seus direitos e interromper o ciclo de assédio. Mantendo a calma e controlando as emoções, ele evita doenças psicossomáticas e toma coragem para denunciar o agressor.

Trabalhe a autoestima

É importante que o trabalhador saiba que, sendo vítima, não tem culpa pelo assédio sofrido. Mesmo assim, é difícil não se abalar com essa situação. Para evitar consequências negativas de longo prazo, ele deve trabalhar a autoestima com terapia, investimento em sua capacitação e tirando alguns dias de folga.

Procure ajuda do RH

A empresa é a principal interessada em acabar com casos de assédio e manter a saúde do trabalhador. O departamento de recursos humanos é o local ideal para identificar e criar soluções para esse problema. Portanto, assim que acontecer algum caso do tipo, o RH deve ser acionado.

O ideal é que o profissional de RH deixe isso bem claro a todos os empregados, para que eles saibam a quem devem recorrer nessa situação.

Muitos funcionários também podem sentir medo de que sua palavra seja menosprezada. Portanto, o setor deve demonstrar respeito e iniciativa perante sua denúncia.

Pesquisas VitalSmarts

Como identificar e eliminar casos de assédio na empresa?

O gestor de RH deve elaborar ferramentas para proteger o funcionário:

Canais de denúncia anônima

Muitos profissionais ficam com vergonha ou com medo de represálias, portanto um canal de denúncia anônima facilita a descoberta de casos de assédio no trabalho.

Pesquisas de clima

As pesquisas servem para identificar como anda o ambiente de trabalho. Por meio delas, o empregado pode apontar o que está atrapalhando o bom ambiente da empresa e como isso está ocorrendo.

Cultura organizacional

A cultura organizacional é um conjunto que abrange missão, visão e valores, ou seja, aquilo em que a empresa acredita. O desenvolvimento dessa cultura também abrange o comportamento dentro da empresa, que deve priorizar o respeito e a ética entre todos. Funciona como uma ferramenta de prevenção a assédios.

É importante que o diálogo seja um dos pilares dessa cultura. Assim, o funcionário enxerga a abertura para uma futura denúncia.

Suporte psicológico para casos concretos

O assédio abala muito a autoestima do funcionário, podendo causar traumas e doenças psicossomáticas. Para evitar esse tipo de prejuízo à vítima, é importante que a empresa ofereça tratamento psicológico.

Com isso, ela mostra que está verdadeiramente ao lado do funcionário e que suas estratégias de combate a situações vexatórias são efetivas.

Treinamentos e desenvolvimento de ética

Treinamentos sobre ética organizacional não só irão estabelecer o comportamento priorizado pela cultura da empresa, como também darão ao empregado argumentos e coragem para interromper casos de assédio.

Punição e troca de setor

De nada adianta a denúncia se o funcionário perceber que as coisas vão continuar as mesmas. O agressor deve passar por punições condizentes com seu comportamento (advertência, suspensão ou demissão). Caso continue na empresa, o ideal é que a vítima mude de setor. Senão, pode se sentir cerceada e com medo de fazer uma nova denúncia.

O assédio no ambiente de trabalho é uma situação vexatória em que o assediador, aproveitando-se de seu poder, utiliza-o para diminuir o empregado ou conseguir favores sexuais.  O gerente de RH deve agir para combater esse tipo de atitude e oferecer o ambiente mais agradável possível para todas as partes.

Assegure-se de que os funcionários podem contar com a empresa sempre que souberem ou passarem por situações com essa.

Agora que você já sabe como evitar e eliminar o assédio moral no ambiente de trabalho, descubra como lidar com uma conversa abusiva.